quinta-feira, dezembro 25, 2014

Fiz o exame do líquido da espinha e fiquei com dor de cabeça. E agora?

Primeiro, seria bom você entender para que serve esse exame tão importante que é a coleta do líquido da espinha, um exame antigo, mas que auxilia em muito na investigação de doenças neurológicas. Há um post sobre isso no blog.

Leu o post? Ótimo se leu. Se não leu, vá lá, leia (é pequeno), e depois volte aqui.

Algumas pessoas (ao redor de 20 a 30% dos pacientes que colhem o líquor) acabam ficando com uma dor de cabeça que começa no segundo dia ou terceiro dia após a coleta do líquor, e dura de 1 a 5 dias em média. Essa dor de cabeça é benigna, não leva a problemas sérios na maior parte das vezes, melhora quando o paciente deita, e  piora, por vezes imediatamente, quando o paciente senta ou levanta.

Aliás, quando você for se consultar sobre uma dor de cabeça, você tem de dizer tudo o que sente para o médico. E dizer se a dor de cabeça piora ou melhora com uma posição é importante, pois isso ajuda no diagnóstico.

Vamos voltar. A dor pós coleta de líquor (que chamaremos agora de cefaleia pós-raqui) é comum, benigna e não é difícil de tratar. Pode ocorrer após exames de coleta de líquor e após anestesias espinhais (raquianestesias).

O que piora a cefaleia pós-raqui? Além de ficar em pé ou sentado, tossir, espirrar, defecar e rir podem piorar a dor. 

Em geral, a dor necessita de repouso (sem esforços, carregar nada de pesado) e hidratação na veia em hospital. O médico que atende o paciente pode usar analgésicos que podem diminuir a dor. Recentemente, o uso de café tem sido advogado como útil no tratamento dessa dor (café preto), pelos efeitos do café sobre os vasos cerebrais e sobre a produção de líquor. No entanto, o blog Neuroinformação aconselha o uso de café somente após orientação médica, pois o uso desmedido dessa substância pode levar a insônia, ansiedade e taquicardia. 

Há um tratamento chamado de blood patch, que quer dizer, literalmente, emplastro de sangue. Está indicado nos casos mais severos e refratários (que não respondem ao tratamento) de cefaleia pós-raqui. O procedimento é médico, geralmente feito por um anestesista, orientado por médico, e consiste na retirada de 15 a 20 ml de sangue do paciente e colocação no espaço sobre o local onde foi feita a punção.

Quando fazemos a punção lombar, pode ficar um pertuito, um canal por onde pode passar líquor para fora do espaço normal. Essa seria a explicação mais plausível para uma cefaleia pós-raqui. A colocação de sangue no espaço sobre esse pertuito permitiria aos fatoers de coagulação presentes no sangue fechar esse espaço, permitindo uma recuperação do paciente.

O blood patch só está indicado nos casos em que os sintomas não melhoraram com o tratamento medicamentoso. Se for indicado, seu médico lhe explicará os motivos e riscos do procedimento. 

 

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Comente na minha página do Facebook - Dr Flávio Sekeff Sallem,
Médico Neurologista